Angústia, medo de acontecimentos futuros, sensação de coração acelerado, sensação de sufocamento, sensação de bolo na garganta. Em um mundo de respostas rápidas e textos curtos, ifood e redes sociais, esperar se tornou uma tarefa penosa e as queixas relacionadas à ansiedade se tornaram o principal motivo de procura por consulta psiquiátrica.
Muito do que chamamos de ansiedade hoje é, na verdade, uma dificuldade em lidar com o tempo e com a incerteza. Vivemos em um ritmo que nos exige antecipar resultados antes mesmo de iniciarmos os processos, o que gera um estado de ‘desesperança’ — no sentido literal de perder a capacidade de esperar. O tratamento eficaz não busca apenas silenciar o sintoma, mas restaurar a ordem na forma como nos posicionamos diante do futuro.
O Mal do Século
A sociedade contemporânea exige um ritmo de atividades muito mais acelerado do que jamais vivenciado pelo homem em sua história, ultrapassando os limites biológicos do corpo. Esse descompasso culmina com um desequilíbrio na produção de neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelo sistema nervoso), desencadeando o quadro de ansiedade.
Angústia, medo de acontecimentos futuros, sensação de coração acelerado, sensação de sufocamento, sensação de bolo na garganta. Em um mundo de respostas rápidas e textos curtos, ifood e redes sociais, esperar se tornou uma tarefa penosa e as queixas relacionadas à ansiedade se tornaram o principal motivo de procura por consulta psiquiátrica.
No consultório, observamos que o sofrimento do paciente ansioso raramente é fruto de um evento isolado, mas sim de uma sobrecarga cumulativa que afeta o sistema nervoso e a saúde física como um todo. É um quadro complexo que exige uma investigação diagnóstica rigorosa.
A Orquestra da Ansiedade: Adrenalina e Cortisol
Em um sistema equilibrado, a adrenalina e o cortisol nos preparam para enfrentar as desafios do dia-a-dia. A adrenalina prepara o corpo para reações físicas imediatas, o cortisol — conhecido como o hormônio do estresse — mantém o organismo em um estado de alerta. No entanto, no paciente ansioso, eles são produzidos de forma exagerada e contínua, sendo responsáveis pelos sintomas observados nos quadros ansiosos.
Quais são os Sintomas de Ansiedade?
Os sintomas de ansiedade são a expressão visível de um sistema nervoso que perdeu a capacidade de retornar ao estado de repouso. Quando a produção de adrenalina e cortisol se torna constante, o corpo passa a comunicar esse desequilíbrio de diversas formas.
Sintomas Físicos e Autonômicos
A face mais imediata da ansiedade é a ativação do sistema de “luta ou fuga”. As queixas mais comuns observadas no consultório são:
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Sintomas cardiovasculares: Palpitações, taquicardia (coração acelerado) ou a sensação de aperto no peito, muitas vezes confundida com problemas cardíacos.
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Alterações respiratórias: Sensação de sufocamento, o clássico “bolo na garganta”, respiração curta e superficial.
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Respostas do sistema nervoso: Reações que fogem ao nosso controle, como tremores, suor excessivo (sudorese), formigamentos e tensões musculares crônicas — especialmente na região cervical e ombros.
O Impacto Sistêmico e Psicossomático
Quando a ansiedade se torna crônica, acaba por acometer outros sistemas orgânicos. É aqui que observamos a conexão profunda entre a saúde mental e o corpo:
- Sintomas Dermatológicos: Por terem a a mesma origem no embrião, a pele e o sistema nervoso estão intimamente conectados. Por esse motivo a pele é um dos órgãos que mais sofre com o estresse crônico. Quadros de dermatite atópica, psoríase, alopecia areata e urticária frequentemente tem como gatilho a ansiedade.
- Distúrbios Gastrointestinais: Alterações na microbiota e na motilidade intestinal, muitas vezes ligadas à síndrome do intestino irritável.
- Ciclo do Sono: A insônia de latência (dificuldade para pegar no sono) ou o sono fragmentado, que impedem a restauração cognitiva necessária para o dia seguinte.
Sintomas Cognitivos e a “Antecipação do Mal”
No campo psíquico, a ansiedade se manifesta como uma distorção da percepção do tempo e do futuro. O paciente experimenta:
- Irritabilidade e Hipervigilância: Um estado de prontidão constante que esgota a energia física e mental.
- Angústia Existencial: Dificuldade em viver o presente devido à antecipação de um mal futuro. É a sensação constante de que algo ruim está prestes a acontecer, gerando um ciclo de desesperança.
Evitação e Irritabilidade
As reações mais comuns, diante desses sintomas, são a evitação e a irritabilidade, sendo a reação de evitação a mais comum.
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Evitação: Para se proteger do desconforto, o indivíduo passa a evitar situações, lugares ou pessoas que possam desencadear as crises, o que pode levar ao isolamento social e à dificuldade de sair de casa.
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Irritabilidade e Agressividade: O estado de alerta constante esgota a paciência. Diante de pequenos estressores, o paciente pode exibir um comportamento reativo ou agressivo, reflexo de um sistema nervoso que já está no seu limite.
Quais são os Transtornos Ansiosos
Os transtornos ansiosos são diversos, diferindo entre si em gravidade, circunstâncias e sintomatologia, são eles:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
- Reação Aguda ao Estresse
- Transtorno do Estresse Pós Traumático (TEPT)
- Transtorno Misto Ansioso Depressivo
- Transtorno de Pânico
- Transtorno de Adaptação
- Transtornos fóbicos ansiosos
- Transtorno obsessivo compulsivo
- Transtornos Dissociativos ou de Conversão
- Transtorno Somatoforme
Diagnóstico dos Transtornos de Ansiedade
Na avaliação diagnóstica, é importante investigar outras doenças como hipertireoidismo, tumores produtores de catecolaminas, uso abusivo de substâncias psicoativas (como cocaína e seus derivados, anfetaminas), uso de anabolizantes (hormônios para ganho de massa muscular), doenças cardiológicas que cursam com taquicardia, abstinência de nicotina e álcool, privação do sono. No diagnóstico diferencial encontram-se transtornos de personalidade que podem cursar com sintomas ansiosos, como o transtorno de personalidade explosivo intermitente e o transtorno de personalidade esquiva. Muitas vezes os sintomas de ansiedade podem camuflar um quadro de depressão, sendo frequente a associação de sintomas ansiosos e sintomas depressivos, configurando um quadro de Transtorno Misto Ansioso e Depressivo
Tratamento dos Transtornos de Ansiedade
No tratamento, o foco inicial recai sobre as medidas não farmacológicas e mudanças no estilo de vida. Dentre as medidas não farmacológicas para o controle da ansiedade destacam-se:
- Prática religiosa e vida espiritual
- Exercícios físicos regulares
- Psicoterapia
- Alimentação balanceada,
- Cultivo de hobbies e lazer
No entanto, nem sempre essas medidas são possíveis ou suficientes para um sistema nervoso que já está exausto. Atualmente, contamos com um arsenal farmacológico eficaz para recuperar o equilíbrio dos neurotransmissores e devolver a qualidade de vida do paciente.
O tratamento de excelência não busca apenas silenciar o sintoma físico, mas restaurar a capacidade do indivíduo de se posicionar diante do futuro com paciência e esperança. Entendemos que, ao recuperarmos essa ordem interior, o peso da vida contemporânea torna-se suportável e o corpo deixa de viver em estado de alerta constante.
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Fontes externas:
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/anxiety/symptoms-causes/syc-20350961

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