Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Mente e Corpo | 0 comentários

Os corticóides e, mais especialmente, os glicocorticóides

são medicamentos amplamente utilizados na prática médica por várias especialidades, como: Reumatologia, Dermatologia, Oncologia, Imunologia, Pneumologia, Ortopedia, tanto por suas ações antinflamatórias como imunossupressoras.

Como qualquer fármaco, os corticóides podem apresentar efeitos adversos, ou seja, indesejáveis, em vários sistemas corporais.

As alterações psíquicas mais frequentes

em pacientes que fazem uso prolongado de glicocorticóides são: labilidade emocional (variação frequente do estado de humor), ansiedade, insônia, depressão, agitação, alucinações auditivas e visuais, déficit de memória, euforia (hipomania). Em alguns casos pode ser difícil dizer se as alterações são decorrentes da própria doença de base (por exemplo: Lúpus Eritematoso Sistêmico que pode levar ao desenvolvimento da Psicose Lúpica) ou se é um efeito colateral dos glicocorticóides.

Um estudo desenvolvido em Boston – Massachussets – EUA e publicado na revista “Clinical Pharmacology & Therapeutics” (1972) concluiu que o risco de desenvolver sintomas psicóticos por uso crônico de glicocorticóides é dependente da dosagem ingerida diariamente: 1,3 % dos pacientes ingerindo até 40 mg de prednisona por dia desenvolveram sintomas psicóticos; 4,8 % daquleles com ingestão de 41 a 80 mg/dia e 18,4 % dos que ingeriam doses acima de 80 mg/dia. (Ver: “Boston Collaborative Drug Surveillance Program”).

Ao aparecerem tais efeitos colaterais,

algumas estratégias terapêuticas podem ser adotadas. Se for possível, reduz-se ou descontinua-se a dose do corticóide. Se ficar constatado que os sintomas psicóticos são causados pela própria doença ou se não se pode suspender o uso do corticóide, pode-se associar drogas antipsicóticas. Se o efeito colateral é a euforia exagerada e/ou hiperestimulação, podemos tentar controlá-las com drogas ansiolíticas.

O mais importante é a análise da situação por pessoal qualificado. A abordagem deve, de preferência, ser interdisciplinar. O clínico que está conduzindo o tratamento da doença de base pode necessitar da ajuda do psiquiatra, sempre visando utilizar a melhor terapia com o mínimo de efeitos adversos, para o maior benefício do paciente.