Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Mente e Corpo | 0 comentários

A associação entre doenças dermatológicas e transtornos psiquiátricos é conhecida há muito tempo. A experiência clínica e vários estudos demonstram esta relação.

Sabemos que a pele e o sistema nervoso, central e periférico, se originam do mesmo folheto embrionário, o ectoderma. Além disso, há uma infinidade de sensores e terminações nervosas na pele, que, sob este aspecto, pode ser considerada uma grande “antena” de captação de sinais provenientes do meio-ambiente. Portanto, pelo menos do ponto de vista biológico, podemos observar que existe uma relação muito estreita entre a pele e o sistema nervoso central, que é a sede biológica das nossas emoções e afetos.

Evidência Científica

Acrescentando mais dados para demonstrar esta relaçlão, a revista “Archives of Dermatology”, número 145 – vol 8 de 2009 publicou um estudo comunitário de coortes longitudinal desenvolvido por pesquisadores australianos onde analisaram dados de três pesquisas, feitas em 2000, 2003 e 2006, das quais participaram mulheres jovens com idades variando entre 22 e 27 anos (em 2000 e seguidas em 2003 e 2006). Os dados foram retirados do “Estudo Longitudinal Australiano em Saúde da Mulher”.

A análise procurou determinar fatores causais significativos associados às doenças da pele. Dentre outros fatores, incluiram sintomas depressivos, estresse e ansiedade intensa. Como medidas de desfecho do estudo, utilizaram questionários padronizados como: “Questionário de Estresse Percebido para Mulheres Jovens”, onde são considerados fatores estressores nos últimos 12 meses como: a própria saúde, a saúde de familiares, o trabalho, os estudos, a organização da vida, finanças e as relações, variando numa escala de 0 a 4, desde não estressante (ou não aplicável) até extremamente estressante; “Escala de Depressão dos Centros de Estudos Epidemiológicos”, com 10 itens e um ítem para “Relato de Sintomas Intensos de Ansiedade”, onde as mulheres eram questionadas se haviam experimentado episódios de ansiedade intensa (p.ex.: pânico) nos últimos 12 meses. O número de participantes das três pesquisas, selecionadas aleatoriamente no banco de dados do “National Medcare” Australiano, foi bastante significativo: 9688, 9081 e 8910, respectivamente. E a prevalência de doenças cutâneas foi de 24,2 % em 2000, 23,9 % em 2003 e 24,3 % em 2006.

Foram usadas equações de estimativas longitudinais generalizadas multivariadas e o estudo chegou à conclusão que os sintomas depressivos e o estresse apresentam associação estatisticamente significativa com alterações dermatológicas (p < 0,005). Quanto aos sintomas de ansiedade, não houve associação significativa. Esta aparente contradição quanto à não influência da ansiedade intensa na evolução de doenças dermatológicas pode ser devida ao instrumento usado para avaliação da ansiedade, que é subjetivo.

Conclusão

Assim, podemos concluir que, principalmente nos casos de doenças dermatológicas resistentes ao tratamento (vitiligo, psoríase, eczema atópico, alopécias, etc.) as intervenções conjuntas psiquiátrica e psicológica ajudam, ou mesmo, podem ser fundamentais para o sucesso do tratamento dermatológico.

Para saber mais, acesse o texto: The Relationship Between Psychiatric Illnesses and Skin Disease