Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Transtornos de Ansiedade | 7 comentários

O Grito - Edvard Munch

O Grito – Edvard Munch

O processo de evolução natural dotou o nosso organismo de sistemas de defesa contra os perigos do meio-ambiente. Por exemplo, o sistema imunológico, cuja função primária é nos defender de agentes infecciosos como bactérias, fungos, viroses, parasitas ou células cancerígenas, que podem nos fazer adoecer, ou o sistema de defesa que atua na produção e liberação de hormônios e neurotransmissores, preparando-nos para lutar ou fugir de algum predador ou catástrofe natural. Assim, na proximidade ou na presunção de um perigo, ficamos ansiosos: nosso coração se acelera, as pupilas se dilatam, o sangue “foge” da pele e do sistema digestório e é enviado para a musculatura das pernas e braços e para o cérebro, nossa respiração fica mais curta e rápida. Ou seja, ficamos mais alertas e prontos para adotar a melhor e mais adequada estratégia de defesa para salvar nossa pele.

Quando esses mesmos sintomas de ansiedade

se tornam mais intensos e passam a ocorrer de repente, sem uma causa real de perigo, dando a impressão de que algo muito ruim está acontecendo com nosso corpo, fica caracterizado um Episódio de Pânico. E se esses episódios se repetem frequentemente atrapalhando a vida do indivíduo, inclusive fazendo com que ele passe a evitar lugares e situações onde os ataques poderiam ocorrer, devemos suspeitar de um Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico.

Inúmeras vezes o paciente sente uma forte dor opressiva no peito e fica com medo de estar sofrendo um “ataque do coração”. Por isso, procura uma unidade de emergência. Caberá ao clínico do Pronto Socorro proceder a investigação adequada e, somente depois de descartar uma causa orgânica (cardiológica, pulmonar, digestiva, traumática, etc) tomar medidas para acalmar o paciente (às vezes é necessário o uso de sedativos) e encaminhá-lo para avaliação psiquiátrica.

O Transtorno de Pânico

é uma doença crônica que acomete cerca de 3,5 % da população ao longo da vida e é 2 vezes mais prevalente em mulheres, sendo mais comum nos adultos jovens.

O tratamento é feito com uma associação entre medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos) e psicoterapia, sendo a técnica cognitivo-comportamental a que mais tem sido recomendada para o tratamento de sintomas residuais. Os psicofármacos devem ser usados na fase aguda da doença até que se alcance a remissão dos sintomas, de acordo com as avaliações do médico psiquiatra. E deve ser mantida por um período mínimo de 1 ano a fim de se evitar as recaídas, qua são muito freqüentes. A psicoterapia ensina ao paciente técnicas de enfrentamento minimizando as evitações de situações deflagradoras dos ataques de pânico. Tudo visando melhorar a qualidade de vida do paciente, devolvendo sua plena capacidade funcionamento familiar e social.