Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Transtornos do Humor | 0 comentários

(antiga Psicose Maníaco-Depressiva)

Bipolar

Bipolar, por Lucas Tonelli

O que é mania

No linguajar popular “mania” significa qualquer hábito repetitivo e caricato que uma pessoa possua. Geralmente esses rituais são exercidos de maneira obsessiva e estão mais relacionados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Para a Psiquiatria, “mania” é um termo que conceitua um distúrbio do humor caracterizado por um estado de euforia ou “elação” exagerados, fora do normal, onde a pessoa se sente com superpoderes ou com irritabilidade, exibindo impaciência, raiva, ódio, agressividade e impulsividade, muitas vezes acompanhados de delírios, principalmente de perseguição. Uma característica muito importante do estado maníaco é que a pessoa em crise tem sua necessidade de sono muito diminuída, sentindo-se muito bem com apenas 3 a 4 horas de sono. Também é muito frequente a labilidade emocional, com episódios súbitos de choro ou riso histérico.Quando esses mesmos sintomas se apresentam em grau mais brando, chamamos de hipomania.

O nome “mania” deriva do grego e significa “loucura” ou “psicose”, daí o nome antigo do transtorno ser Psicose Maníaco-Depressiva.

Mania e o Transtorno do Humor Bipolar (antiga Psicose Maníaco-Depressiva)

O indivíduo com o Transtorno do Humor Bipolar (THB) não permanece em mania ou hipomania por todo o tempo. Seu estado de humor geralmente oscila entre o estado maníaco, a normalidade e a depressão, o que caracteriza o Transtorno do Humor Bipolar tipo I, ou entre hipomania, normalidade e depressão, caracterizando o Transtorno do Humor Bipolar tipo II. E, quando ocorrem 4 ou mais epsiódios de mania e/ou depressão no período de 12 meses, o transtorno é chamado de Ciclagem Rápida.

Sintomas e diagnóstico do Transtorno do Humor Bipolar

O paciente geralmente procura ajuda do psiquiatra quando se encontra na fase de depressão, porque, quando em fase maníaca e, principalmente hipomaníaca, ele se sente muito bem, “às mil maravilhas”, mesmo que esteja causando muitos transtornos para si e para os outros que com ele convivem. Assim, estando em episódio de depressão, torna-se fundamental para o Psiquiatra fazer a distinção entre o estado de depressão bipolar e a depressão unipolar, característica do Transtorno Depressivo Maior, porque as abordagens terapêuticas são completamente diferentes. Para que o diagnóstico correto seja feito, a coleta de informações sobre a história do paciente e a evolução do caso deve ser o mais detalhada possível, sendo necessário ouvir o depoimento tanto do próprio paciente quanto de pessoas do seu convívio.

Tratamento do Transtorno do Humor Bipolar

A estratégia principal do tratamento do THB é baseada no uso de medicamentos estabilizadores do humor, o que visa evitar as oscilações patológicas do humor, permitindo que o paciente as tenha dentro de uma faixa de normalidade, que são os “altos e baixos” comuns nas vidas de todos nós.

Nos episódios de depressão bipolar pode ser útil a utilização de medicamentos antidepressivos, mas, sempre associados com algum estabilizador do humor, pois, se os antidepressivos forem usados em monoterapia, corre-se o risco de precipitar uma “virada maníaca” ou acelerar ainda mais a Ciclagem Rápida.

Quanto às estratégias não-farmacológicas, a Psicoeducação, tanto para os pacientes quanto para os familiares, é fundamental, pois, ao receberem informações sobre o transtorno, poderão aprender como detetar precocemente os sinais do distúrbio e, assim, ajudar a reduzir em até 50 % o número de recaídas e a gravidade do quadro. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Psicoterapia Familiar podem ajudar no manejo das distorções do pensamento e nas disfunções comportamentais que muitas vezes destroem a vida de relações que o paciente conseguiu montar, reduzindo os prejuízos que o transtorno pode causar.