Postado em set 29, 2009 em Blog Livre Mente, Neurociências | 0 comentários

Em 2006 foi criada a “Rede Instituto Brasileiro de Neurociências” (IBN Net), o qual reúne diversos laboratórios de 11 universidades brasileiras, com apoio financeiro da FINEP. Esse fato é importante porque marca o primeiro apoio governamental específico para as neurociências no Brasil. Outro fato mais recente (29/07/2008) foi a elaboração do “Documento de Orientação” para os Institutos Nacionais de Ciências e Tecnologia – INCT, cujo programa tem a finalidade de incentivar e articular grupos de excelência em pesquisa nas mais diversas fronteiras da ciência, visando desenvolver estratégias e tecnologias para o desenvolvimento sustentável do país e incentivando a formação de novos pesquisadores.

O INCT de Interface Cérebro Máquina (INCEMAQ) foi aprovado em 04 de fevereiro de 2009 e tem sede no Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra (IINN-ELS), ligado à UFRN em Natal e do qual participam 14 instituições universitárias. É coordenado pelo Prof. Dr. Miguel Ângelo Laporta Nicolelis, e tem como objetivo principal o desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina, ou seja, de tecnologias que permitam a ligação funcional entre o cérebro vivo e máquinas robóticas (por exemplo próteses de membros superiores e inferiores controladas pelo cérebro do próprio paciente).

Infelizmente o Brasil sempre se destacou pela perda de “cérebros” para o exterior, salvo raras exceções como na pesquisa agrícola. Há uma cultura nefasta de não-incentivo à pesquisa e nossos cientistas sobrevivem, ainda, com pouquissímos recursos. Graças à essa política equivocada, perdemos oportunidades de ouro de ficar up to date com diversas tecnologias de ponta. A minha esperança é que o “Programa dos INCTs” realmente vingue e seja o começo da virada para o desenvolvimento tecnológico do país. Quem sabe assim venhamos a ter nosso primeiro Prêmio Nobel (o professor Nicolelis está muito cotado, apesar da sua humildade em dizer que não), lembrando que nesse “campeonato” nós estamos perdendo, e feio, para os nossos hermanos argentinos.