Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Medicina Tradicional Chinesa | 0 comentários

O termo Medicina Tradicional Chinesa – MTC

é utilizado no Ocidente para definir a medicina que vem sendo praticada e aperfeiçoada na China há cerca de 5.000 anos, diferenciando-a da Medicina Ocidental. A MTC faz uso intensivo de Acupuntura, Moxabustão, Fitoterapia, Massagens e Qigong (pronuncia-se: “tchikun”).

Para entender a MTC, é fundamental o entendimento do modo de pensar chinês, que é diferente da filosofia ocidental. Nós tendemos a raciocinar de maneira analítica, ou seja, fracionamos o todo em seus componentes parciais e tentamos entender o funcionamento de cada fração (influência do pensamento Cartesiano-Newtoniano). O chinês tradicional pensa de maneira holística, mais intuitiva e sintética, ou seja, a filosofia chinesa observa o todo e suas interações em um padrão complexo (influência da filosofia Taoista). Assim, enquanto o médico chinês olha o paciente como um todo integrado aos outros e ao meio ambiente, o médico ocidental tende a tratar a doença em determinado órgão, procurando isolar, preferencialmente, um único fator causador da doença. Há pontos fortes e fracos nos dois sistemas filosóficos que, por isso, são complementares; não dá para simplesmente aplicar os conhecimentos da MTC sem utilizarmos os avanços da medicina ocidental, com seus métodos diagnósticos, farmacologia, técnicas cirúrgicas, etc., sob pena de causar malefícios ao paciente.

TAO:

Geralmente traduzido como “caminho” ou ‘sentido da vida”. Na realidade é o conceito central da “Filosofia da Natureza”, mais tarde chamada de “Taoísmo”, cujo representante mais importante é Lao Tsé (“Velho Mestre” – personagem provavelmente lendário, do séc. 6 ou 5 a.C., que “escreveu”(?) um livro com 81 aforismos: “Tao Te King”). Tao não deve ser traduzido, mas entendido. Ele é a razão suprema e se encontra em tudo, dirigindo a ordem cósmica.

No aforismo 25 do Tao Te King, lê-se: “Havia algo sem forma e completo, antes de surgir o universo. Quieto e ermo, único e incompreensível, sem limites e eternamente disponível. É a mãe do universo. Na falta de um nome melhor, chamo-o o Tao. Ele flui por todas as coisas, por dentro e por fora e retorna à origem de todas as coisas. O Tao é grande. O universo é grande. A terra é grande. A pessoa é grande. Esses são os quatro grandes domínios. A pessoa segue a terra. A terra segue o universo. O universo segue o Tao. O Tao segue somente a si mesmo”.

No aforismo 52: “No princípio era o Tao. Todas as coisas nascem dele; todas as coisas retornam a ele. Se você quiser encontrar a origem, siga o rastro dos fenômenos”.

TAOISMO:

Corrente filosófica baseada nos conceitos de: Tao (como a origem de tudo, inclusive dos contrário-complementares – Yin e Yang); Te (a realidade; os fenômenos naturais) e Wu wei (viver “sem agir”, no sentido de “aceitar as coisas acontecerem em seu ritmo natural, como tem que ser”). Importante frisar que o Taoísmo é uma filosofia de vida e, mesmo tendo influenciado o pensamento religioso chinês, não é uma religião, é um modo de pensar e encarar a vida. Podemos fazer um paralelo com a Filosofia Clássica Ocidental que muito influenciou as religiões ocidentais.

YIN e YANG:

Forças cósmicas opostas e complementares, interdependentes, que se alternam em um movimento cíclico e contínuo.

QI:

Pode ser entendido como “força ou energia vital”, que dá movimento a tudo. O Qi (pronuncia-se: “tchi”) proporciona uma continuidade entre todas as coisas, desde as mais imateriais, rarefeitas e tênues até as mais sólidas e materiais. O Qi é a base para todas as infinitas possibilidades de vida no universo, até as inanimadas, como os minerais. Ele pode se agregar ou se dispersar, indicando tanto a energia quanto a atividade funcional de um órgão, assumindo diferentes formas: Qi defensivo, Qi nutritivo, Qi dos alimentos, Qi celestial, Qi dos órgãos, Qi primordial.Funções do Qi: 1) aquecimento, 2) proteção, 3) movimento, 4) atividade de controle, 5) atividade de transformação.

Meridianos ou Canais de Energia (Jing Luo):

São vias por onde circulam o Qi e o Sangue (Xue) e fazem conexão entre os órgãos e vísceras (Zang Fu), membros e articulações.

Substâncias:

Qi; Xue (Sangue), Jing (Essência ou Energia Ancestral, aquela que é herdada), Shen (Espírito) e Jin Ye (Líquidos corpóreos).

Zang Fu:

Órgãos (sólidos) e vísceras (ocas), entendidos não pela sua estrutura anatômica, como na Medicina Ocidental, mas pelas suas interações funcionais.

Origem das Doenças:

Pela MTC, a doença é provocada pela quebra do equilíbrio, ou desarmonia dentro do indivíduo e/ou nas suas relações com os outros e com o meio ambiente. Assim, o tratamento sempre visa à recuperação da harmonia perdida.

Acupuntura:

Técnica terapêutica da MTC que procura alterar o fluxo desequilibrado do Qi, valendo-se da punção com agulhas muito finas em determinados pontos dos meridianos.

Moxabustão:

Técnica terapêutica da MTC através da aplicação de calor nos pontos de acupuntura, usando bastões ou cones de artemísia incandescente, ou chumaços em chamas na ponta externa das agulhas.

Qigong:

Técnica de exercícios respiratórios desenvolvida pelos taoistas onde o praticante procura sentir a circulação do Qi em determinadas partes do corpo, visando, com isso, harmonizar o fluxo do Qi.