Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Transtornos do sono | 0 comentários

Quem já passou ou passa por noites de sono

não reparador ou mesmo totalmente desperto, sem conseguir conciliar o sono,sabe muito bem as conseqüências ruins que isso traz, como mau-humor, dificuldades de concentração, distúrbios digestivos, cansaço generalizado. Para a insônia ser considerada clinicamente significativa, deve ocorrer no mínimo 3 vezes por semana durante pelo menos 1 mês e estar associada a sofrimento importante, com prejuízo nos relacionamentos sociais e profissionais da pessoa, de acordo com os critérios diagnósticos atuais.

A insônia é um fator de risco para a ocorrência de acidentes e para a saúde do indivíduo, piorando sua qualidade de vida.

Para um bom tratamento da insônia,

o médico deverá determinar se ela é primária (quando ocorre independente de alguma condição médica geral, de outra doença psiquiátrica ou do uso abusivo de substâncias) ou se é secundária a alguma destas mesmas causas. Por exemplo, abuso de cafeína, “pílulas para emagrecer”, depressão, transtornos de ansiedade, apnéia do sono, entre outros, podem ser a causa das noites maldormidas.

Tratando-se de uma insônia secundária, a causa básica deverá ser devidamente abordada e, geralmente, resolve-se a dificuldade de conciliar o sono. As insônias primárias deverão ser tratadas com medidas não farmacológicas e, se necessário, com o uso de medicamentos.

Cerca de 70 a 80 % dos insones

se beneficiam somente com as estratégias não farmacológicas, que visam reduzir os fatores que estão atrapalhando. A higiene do sono é a principal destas medidas e consiste de hábitos que deveriam ser adotados por todos: 1) o quarto deve ter temperatura agradável, ser silencioso e escuro; 2) procure deitar-se e se levantar sempre no mesmo horário; 3) faça caminhadas ou outros exercícios físicos moderados pelo menos 3 vezes por semana, durante pelo menos 30 minutos, mas pare de fazer atividades físicas cansativas no mínimo 2 horas antes de ir dormir; 4) evite fazer refeições pesadas à noite e procure fazer com que a última refeição seja pelo menos 2 horas antes de ir dormir; 5) só use a cama para dormir; evite ler ou ver TV na cama; 6) se acordar no meio da noite, não olhe o relógio; levante-se e faça alguma atividade calma (ler um livro agradável, assistir a TV, ouvir música tranqüila) e só volte para a cama quando sentir sono; 7) tome chás (erva cidreira, camomila, erva doce, hortelã), suco de maracujá ou leite morno (sem café ou chocolate); 8 ) evite café, chá preto, chá mate, refrigerantes (principalmente guaraná e tipo coca-cola) e chocolate, após as 15 horas; 9) evite dormir ou “tirar uma soneca” durante o dia; 10) procure se manter no peso adequado; 11) evite bebidas alcoólicas e cigarros.

Além da higiene do sono,

podem ser tentadas: Terapia de Controle de Estímulos que ensina ao paciente superar a frustração com o fato de ter dificuldades para dormir bem; a Terapia de Restrição do Sono que enfoca a quantidade total de tempo passado na cama e ensina ao paciente a só permanecer na mesma durante o período de sono efetivo; a Terapia de Relaxamento e “Biofeedback” (auto-hipnose, relaxamento progressivo, técnicas respiratórias, meditação) que visa induzir uma redução da tensão muscular.

Se as intervenções não farmacológicas não funcionarem várias classes de medicamentos podem ser utilizadas, de acordo com a avaliação e as orientações do médico psiquiatra.