Postado em abr 24, 2010 em Blog Livre Mente, Transtornos de Ansiedade | 2 comentários

Todos nós estamos sujeitos a acontecimentos estressantes

e nosso corpo é afetado por eles, levando-nos a experimentar variações emocionais que serão mais ou menos intensas de acordo com nossas características psicológicas, com as posições sociais e como estamos ou não adaptados ao meio onde vivemos. Os estressores são capazes de influenciar o funcionamento do nosso corpo, podendo trazer conseqüências ruins em todos os sistemas orgânicos, como influenciar na formação de placas ateroscleróticas, alterar a resposta das células de gordura à ação da insulina, influenciar o estado de humor e a libido, se nosso sistema digestivo funcionará bem ou se iremos desenvolver gastrite, úlceras ou intestino irritável, se estaremos mais ou menos predispostos a adquirir doenças infecciosas e como reagiremos a elas.

Podemos considerar estressantes

alguns acontecimentos enquanto outras pessoas não os considerariam: trânsito lento, prazos curtos a serem cumpridos, problemas financeiros e conjugais, relacionamentos sociais desajustados. De um modo geral, se as coisas que nos perturbam são “crises físicas imediatas”, nosso corpo, que evoluiu de forma brilhante, está muito bem adaptado para responder adequadamente a estas urgências. Ou seja, o organismo tentará sempre alcançar um estado de equilíbrio dinâmico chamado ALOSTASE (níveis de oxigênio, pressão sanguínea, acidez, temperatura, eletrólitos os mais adequados para cada situação). O cérebro evoluiu de forma tal que se o nosso corpo for submetido a um estressor que o tire do equilíbrio alostático, ocorrerá uma “resposta de “stress”” a fim de restabelecer a alostase. Se o estressor é um “agressor físico crônico”, as respostas de estresse ainda são muito boas e conseguimos nos adaptar. O problema é que nós, os humanos, somos capazes de imaginar e criar eventos estressantes antecipados em nossa mente. Somos aptos a vivenciar emoções fortes e fora de controle, tirando nosso corpo do equilíbrio, através do pensamento. E, quando provocamos um tumulto nas funções fisiológicas sem um motivo real ou por uma situação que não temos como resolver, ficamos sujeitos a uma carga muito alta de “ansiedade”, “medo”, “neurose”, “paranóia” e “irritabilidade” totalmente desnecessários e prejudiciais. Se essas situações perdurarem, fatalmente iremos adoecer.

“A resposta ao estresse pode se tornar mais prejudicial do que o próprio estressor, principalmente quando o estresse restringe-se ao psicológico”  Robert M. Sapolsky no livro: “Por que as zebras não têm úlceras?”

O estresse pode nos predispor ou piorar doenças

em todos os sistemas orgânicos: hipertensão arterial, distúrbios vasculares, infecções, doenças respiratórias, transtornos digestivos, transtornos de ansiedade, depressão, impotência sexual etc. Mas, será que não existe uma maneira de evitar ou pelo menos minimizar seus efeitos danosos? Várias pesquisas foram e continuam sendo realizadas visando estudar como o estresse nos afeta. Por exemplo, graças a tais estudos, hoje sabemos que crianças bem cuidadas, que têm manuseio neonatal adequado, recebendo carinho e atenção devidos, se tornam adultos com níveis de glicocorticóides (hormônios cuja produção aumenta na resposta ao estresse) significativamente menores quando comparados com aqueles que foram maltratados na infância. A quantidade de glicocorticóides produzida no adulto influencia diretamente a taxa de degeneração da região dos neurônios da região cerebral responsável pela memória de curta duração ( o HIPOCAMPO). Assim, crianças bem cuidadas provavelmente serão adultos que envelhecerão de forma mais saudável.

Nem sempre conseguimos evitar os estressores

mas podemos aprender a lidar melhor com as situações estressantes. O ideal é levarmos a vida com leveza e equilíbrio. Alimentação balanceada, rica em frutas e verduras e pobre em gorduras animais, açúcares e aditivos industriais provocará menores níveis de estresse metabólico. Exercícios físicos moderados e regulares deixarão nosso corpo mais disposto e apto a enfrentar as “crises físicas”. Saber dosar trabalho e lazer permitirá uma resposta de estresse mais adequada. Manter a higiene corporal, dormir bem, cuidar da espiritualidade, manter-se em educação permanente, aprender a lidar com as frustrações, ou seja, cuidar do bem-estar físico e mental nos manterá melhor adaptados e nos protegerá dos efeitos danosos do estresse.